Reflexões Planetárias

Sunday, November 25, 2007

A sobrevivência da arquitectura

Survival trough design, 1954; para Richard Neutra estava então em causa o papel da arquitectura na sobrevivência.
Agora, meio século depois, põe-se em causa a sobrevivência da arquitectura!
Na resposta a este desafio que considera real, Kenneth Frampton chamou a atenção em 1995* para algo de importante que não tem vindo a ser firmemente assumido pela classe dos arquitectos:
O controlo da arquitectura não é possível se o arquitecto se centrar apenas no clássico projecto de arquitectura, consignado nas Instruções para o Cálculo de Honorários.
A sua intervenção tem que caminhar vigorosamente não só para jusante, na assistência ás obras e no acompanhamento da utilização, mas também para montante, até ao desenho dos materiais e equipamentos.
Isto não é novidade na arquitectura moderna do século vinte, desde a Bauhaus em que emergiu o design, hoje institucionalizado na nossa sociedade.
Mesmo em Portugal, arquitectos e designers modernos como Conceição Silva, Henrique Albino, Daciano Costa ou Senna da Silva, fizeram-no de forma consequente, com determinação.
Mas é esta determinação consequente e portanto articulada que falta nestes tempos pós-modernos, em que reina a insegurança e a indeterminação, perdendo-se os arquitectos em projectos pessoais, na mira da fama e do proveito, ou na simples luta pela sobrevivência individual.
Estando em causa a sobrevivência da arquitectura, as Escolas de Arquitectura e a Ordem dos Arquitectos têm que assumir um papel institucional decisivo na promoção do alargamento da intervenção do arquitecto para jusante e para montante do clássico projecto de arquitectura, bem como no apoio aos que o procuram fazer na teoria e na prática.
Oxalá esta seja uma visão pessimista de quem não está bem informado.
Se o não for... de nada valerão iniciativas administrativas aparentemente decisivas como a revogação do famoso Dec. Lei 73/73!

* Pode ler-se no Epílogo da Introdução ao Estudo da Cultura Tectónica, obra infelizmente mal traduzida na edição parcial subscrita pela então Associação dos Arquitectos Portugueses e publicada em 1998, por alturas em que Kenneth Frampton esteve entre nós.

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